Arquivos de: Skel Shizuko

Escrevo desde que aprendi a escrever sem o desejo de ganhar dinheiro com isso. Guardo para me revisar e jogo fora depois de um tempo. Não sei o motivo, mas resolvi deixar umas palavras por aqui.

No tempo que inventaram nasci em 4 de março de 1982. No meu tempo, meu corpo diz que estou ficando idosa, mas a mente não quer envelhecer, sabe dos riscos de se engessar e acreditar que tempo de existência é sinônimo de sabedoria.

Na noite os desconhecidos perguntam “Trabalha com o que?” Essa pergunta me incomoda, já que provavelmente não faremos negócios não é? Se eu quisesse ganhar dinheiro, não o estaria torrando em bebida e jogando conversa fora com um estranho, fazendo mais do mesmo, sem saber onde esta noite vai acabar. Não nos veremos e esquecerei seu nome, então vamos falar de coisas fúteis, filosofar e rir loucamente pra fazer de conta que nos conhecemos há muito tempo, antes de nascer, e assim afastar a solidão ou qualquer dor. Eu não imagino o que você vai fazer comigo, se gostou de mim e deixei você ficar é porque somos dois loucos disfarçados que se encontraram. Quem mandou ir lá me provocar? Estava quieta no meu canto tomando meu cosmopolitan.

Respondo “Eu minto.” e você?

Pensam que sou advogada. No dia que acertarem pago uma bebida.

A Mudança – parte III de III: O Renascimento

Sete anos. Não se deu conta que havia passado tanto tempo. Com os monges aprendeu a arte do silêncio, da repetição a perfeição que mantêm o templo vivo. Parecia com suas práticas do bushido, mas não precisava matar, isso lhe dava paz. Caso ainda não tenha lido, clique para ler a primeira parte ou a

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A Mudança – parte II de III: A forma do vazio

O barco começou a se mover. Ficou preocupada com o tempo que levaria, a balseira era uma menina pequena, aparentava ter sete anos. “Assim não sairei daqui. Paciência, é o que tenho.” Caso ainda não tenha lido, clique aqui para ler a primeira parte. – Você me julga sem antes me conhecer. – Como assim

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A Mudança – parte I de III: Seppuku dos Sentimentos

Raramente uma guerreira se apaixona, algumas nunca. Sentimentos são domados para servir. Treino e foco. Longos anos trabalhando os mais profundos sentimentos e corrigindo maus hábitos. Kaizen ao acordar. Se recolhia depois de uma batalha para meditar em shodo nas folhas de papel de arroz o aprendizado do dia. Batalhas parecem iguais, não são. Ficar

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Felicismo

Acordei saindo fisicamente de uma tela. O quadro ficava pendurado na janela do quarto. A tela era pintada com tinta acrílica, basicamente com cor branca, preto e nuances de vermelho. Coisas estranhas acontecem em dias normais. Respondi o bom dia de minha mãe que passava pelo corredor. Ela parecia um vulto de tinta que flutuava

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Rita

Para entender Rita não se pode contar sua história do passado para o presente. Rita tem uma loja de bicicletas em Santiago. Uma loja aparentemente comum que aluga, vende e faz reparos, onde ela recebe os viajantes que às vezes param para simplesmente tomar um café que ela mesma faz e serve nas mesinhas do

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Razoável

Antonio Carlos vai morrer hoje. Antonio Carlos não sabe que hoje vai morrer. Ninguém na verdade sabe exatamente como e quando se vai morrer. Mas um dia se morre.   Antonio Carlos acordou, no horário de sempre ao lado da esposa. Ela não deu bom dia, não dava bom dia há anos e ele não

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Dona Joana

Dona Joana mora em uma cidade do interior de Minas Gerais.   Faz anos que mora lá Morou antes também, quando era solteira.   Um dia, um moço bonito e paquerador fez um, dois, três filhos na jovem Joana que com ele casou. Porque era assim, tinha que casar. Estudou só o primário, assistia novelas.

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