Arquivos por Categoria: Contos

Como de costume

Ana está morta.   …   Como de costume, Eduardo vai até a porta, pega o jornal, liga para a avó que mora no interior para se certificar que ela está bem, prepara seu expresso e senta-se à mesa. A noite agora é uma lembrança vaga. O sol brilha lá fora. Um belo domingo a

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Eu queria ser: histórias de Clarice e Olavo

Eu queria ser Nelson Rodrigues:   "Olavo, dizes que me ama e dizes agora, Olavo. Não aguento mais esse seu jeito ausente." Olavo não pensa duas vezes e esbofeteia a face esquerda de Clarice com vigor. Um tapa seco, mudo. Sai em direção à cozinha para tomar seu café amargo de sempre. Pela primeira vez,

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O dia em que decidi morrer

Claro. Muito claro. Mal posso abrir os olhos. Nunca houve um dia tão claro. Após muitos minutos, entre abrires e fechares de minhas pálpebras, retomo uma visão mediana do mundo à minha volta. Retomo as memórias do passado – seja o mais longínquo, seja o recente. Que dor é essa? Não vai passar? Vai, sim!

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Alma Perdida

Os galhos das árvores machucam seu rosto já coberto pelas lágrimas vertidas na angústia da fuga. Caminha por entre elas com olhar amedrontado, procurando em cada movimento, em cada sussurro, a presença dele. O medo paralisa sua alma. Sente como se estivesse sem uma gota sequer de sangue em seu corpo. Suas mãos estão geladas.

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Em busca de coragem

Uma neblina londrina cobre a capital paulista. É um frio dia do início de junho. São duas horas da manhã e ele caminha pela ciclovia da Marginal Pinheiros, sob a ponte estaiada. O belo monumento de concreto brilha estranho sob a atmosfera densa. Vergões coloridos cortam a paisagem. Pouco nítidos como raios laser em uma

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Rita

Para entender Rita não se pode contar sua história do passado para o presente. Rita tem uma loja de bicicletas em Santiago. Uma loja aparentemente comum que aluga, vende e faz reparos, onde ela recebe os viajantes que às vezes param para simplesmente tomar um café que ela mesma faz e serve nas mesinhas do

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Vontades Ocultas

Marta gostava de se exibir para homens na rua. Não quaisquer homens. Os sujos. Os suados. Um fetiche incontrolável que surgiu desde que leu e assistiu “A Dama do Lotação”. E o fez dúzias de vezes. Sonhava em se entregar a esses personagens comuns que cruzavam seu caminho. Marta não era linda. Aos 44 anos,

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Razoável

Antonio Carlos vai morrer hoje. Antonio Carlos não sabe que hoje vai morrer. Ninguém na verdade sabe exatamente como e quando se vai morrer. Mas um dia se morre.   Antonio Carlos acordou, no horário de sempre ao lado da esposa. Ela não deu bom dia, não dava bom dia há anos e ele não

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Dona Joana

Dona Joana mora em uma cidade do interior de Minas Gerais.   Faz anos que mora lá Morou antes também, quando era solteira.   Um dia, um moço bonito e paquerador fez um, dois, três filhos na jovem Joana que com ele casou. Porque era assim, tinha que casar. Estudou só o primário, assistia novelas.

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Estranhas paixões

Ela passou ofegante. Rápida. Lépida mesmo. Sabia que os olhares a seguiam, mas não desviava o olhar reto uma vez sequer. Mulher séria é assim. Até curte o momento e se deleita, mas não se deixa entregar a olhares quaisquer. À noite, jantar pronto na hora certa. Na hora de sempre. Telefone. Antonio Carlos não

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