Arquivos por Categoria: Sentimentos

O rio e o fio da navalha

Queria navegar manso. Acontece às vezes. Na verdade, queria mesmo gostar de navegar em águas de tranquilidade. Quando há uma maldita bifurcação, escolho instintivamente corredeiras. Para me arrepender depois, é claro. Foda-se no fim; decisão é decisão e que venha uma calmaria posterior – só para aliviar. E que passe rápido, contudo. Passará. Os afluentes

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De mim só restará a saudade

Sempre estive lá. Por opção, convenhamos. Por conveniência, saiba-se. Por acaso… Mentira! Era a maldita vontade. Sempre ela. A única personificação do diabo que tive notícia. Encontros e desencontros. Fatalidade. Fartura delas. Farto, isso sim! Exclamo que existo e sei que não é para sempre. Sinto que é por pouco tempo na verdade. Ainda mais

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Nada temos em comum

Se nada temos em comum,O que nos une sobre esse pretexto de haver motivos? Se nada temos em comum,Por que essa sanha que faz os olhos insistirem em trocar sorrisos? Se nada temos em comum,De onde vem esse sentimento súbito de tornar definitivas as vontades? Se nada temos em comum,Esse flamejar tão singular é tão

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Quando eu deixei de ser eu?

Aldo tem uma nova identidade. Não é a primeira vez. Aldo é um mutante. A razão é incerta. Na verdade, não existe uma só razão ou uma razão só para nenhuma de suas mudanças. Aldo abandonou seu nome. Clodoaldo no dia do nascimento. Aldo agora. Ele não sabe quando isso mudou. Não foi de caso

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Meu ciúme, Meu fracasso (ou Asfixiado pelos próprios pensamentos)

Calafrio. Medo. Desejo. Raiva. Excitação. Tesão. Ódio. Amor?     Doentio.   Meu ciúme, meu fracasso.   De onde vem essa doença que não cala? Essa constante lancinante que sufoca o cérebro, sabota o funcionamento dos outrora sadios neurônios e entorpece os sentidos.   Inferno.   Sentimento de posse. Errado na origem. Desde a maçã

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Meu medo. Minha fuga. Meu renascimento.

Não quero mais. Nem isso, nem aquilo. Quero me encontrar somente. Ser meu estilo. Tranquilo. Ter-me como o máximo. Sem falsa modéstia. Sem a sociedade como moléstia. Não à inércia. Respirar como que se toda a atmosfera me pertencesse. Sem quimera. Quem dera. Quero a solidão do lobo que uiva rouco. Sim, posso ser tratado

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Feliz Aniversário – a morte nossa de cada dia nos dai hoje

Morre-se aos poucos. Por que haveria pressa, se não há um prazo oficial? Mas a certeza da morte deveria estar presente em cada acordar, em cada adormecer, em cada aniversariar. A cada dedicatória de parabéns, morre-se um pouco mais. Não pelo gesto em si, mas pelo tempo que ele consome e pelo que significa: ter

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Felicismo

Acordei saindo fisicamente de uma tela. O quadro ficava pendurado na janela do quarto. A tela era pintada com tinta acrílica, basicamente com cor branca, preto e nuances de vermelho. Coisas estranhas acontecem em dias normais. Respondi o bom dia de minha mãe que passava pelo corredor. Ela parecia um vulto de tinta que flutuava

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Deƨ

 (Des)LIGUE(Des)NUDE(Des)CUBRA (Des)ABAFE(Des)ABITUE(Des)ACELERE (Des)ACATE(Des)FAÇA(Des)BUNDE(Des)ENCANTE (Des)DIGA(Des)MANCHE(Des)MANDE(Des)TRATE (Des)MONTE(Des)TAQUE(Des)VENDE (Des)VARIE(Des)TEMA(Des)TRAMBELHE (Des)EMBALE(Des)ENCANE(Des)AVERGONHE(Des)ABROCHE (Des)ABOTOE(Des)OBEDEÇA(Des)OBRIGUE(Des)TRONE (Des)COLE(Des)ORDENE(Des)AGRAVE (Des)ACUMULE(Des)APEGUE(Des)ACORRENTE (Des)EQUILIBRE(Des)GOVERNE(Des)ACATE(Des)ARME (Des)MINTA(Des)COLE(Des)CONTROLE (Des)EJE

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Estranho pesar

Era o que era e isso é sempre verdade. Mas é tão estranho esse pesar. Tem a ver com as múltiplas escolhas; sobre como damos forma a nosso caleidoscópio do mundo real. Ao que somos. Ao que estamos. Esse instante e só esse instante existe de fato. O resto se foi. O resto virá. Mas

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