Dona Joana

Dona Joana mora em uma cidade do interior de

Minas Gerais.

 

Faz anos que mora lá

Morou antes também, quando era solteira.

 

Um dia, um moço bonito e paquerador fez um,

dois, três filhos na jovem Joana que com ele casou.

Porque era assim, tinha que casar.

Estudou só o primário, assistia novelas.

Quase não lia.

 

O marido era de classe média, de São Paulo.

Estudou, tinha bom emprego.

Mas depois de dois anos enjoou de Joana.

Ficou com ela mais dez anos, porque era assim.

Mulher simples, fazer o que, dona de casa se tornou.

 

O corpo magro de Joana ficou inchado, a nuca grossa.

O olhar doce ficou ignorante.

Se vestia com o resto do dinheiro que sobrava

para as despesas que o marido dava.

 

Quando inventava de se maquiar, de se arrumar

ficava horrososa, mas tentava pensar que tinha

ficado igual as atrizes das novelas.

 

Se tornou Dona Joana assim.

E o marido, de muitas amantes, cada vez

mais jovens, deixou Dona Joana que voltou

para Minas Gerais.

 

Em São Paulo deixou três filhos.

O mais querido chamava-se Antonio Carlos,

um homem razoável, que lembrava o pai jovem.

 

Quando ela morrer alguém vai dizer no velório:

“Ela fazia uma boa torta”.

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