Eu queria ser: histórias de Clarice e Olavo

Eu queria ser Nelson Rodrigues:

 

"Olavo, dizes que me ama e dizes agora, Olavo. Não aguento mais esse seu jeito ausente."

Olavo não pensa duas vezes e esbofeteia a face esquerda de Clarice com vigor. Um tapa seco, mudo. Sai em direção à cozinha para tomar seu café amargo de sempre.

Pela primeira vez, Clarice não tem dúvidas. Olavo a ama.

 

Ou Vinicius de Moraes:

 

"Clarice, amo-te como nunca amei ninguém. Meu coração é teu. Tenho essa sensação de eternidade quando estou contigo. E tenho tanto para lhe dar que o agora não me basta e nunca me sentirei saciado tal é o fulgor que transborda de minh’alma."

(…)

"Ana, amo-te como nunca……….."

 

Ou Paulo Coelho:

 

Clarice olha fixamente para o horizonte à margem do lago que, enfim alcançara, após 21 dias caminhando.

A conversa praticamente mística que manteve com aquele maravilhoso mago que encontrara ao caminho e todo o diálogo que manteve consigo mesma ao peregrinar não lhe permite mais duvidar: amava Olavo e pode sentir que em sua volta, ele estará lá, a esperando.

Recostou numa pedra. Dormiu feliz o melhor sono de sua vida.

 

Ou Nietzsche:

 

Olavo, eu não te amo e estou indo embora. Por favor, se você quer realmente ser feliz, procure imediatamente um psiquiatra. Não deixe de contar a ele que você mantém uma imagem de São Pedro no box do banheiro, para evitar que você se entregue à sua vontade de se masturbar. Ah, e para de rezar, se Deus existisse, não deixaria que eu tivesse feito a você o que eu fiz. Pergunte ao seu irmão.

 

Ou Stephen King:

 

Clarice se desespera e corre. A casa parece tão longe agora. Olavo levou aquele pacto de sangue longe demais. O sangue jorra do pulso do amado; o corte foi profundo.

Sua esperança é Jorge, o caseiro. Está aos berros.

Sob a luz fraca do luar minguante vê o vulto que deve ser o do serviçal. Não há tempo de ter certeza. Ele a amordaça de imediato e enterra Olavo na sua frente. Lágrimas e gritos mudos traduzidos por um retorcer inútil do corpo. Bate a pá ao seu lado. Susto. Palidez.

Jorge mantém Clarice presa no sitio por 10 anos. Sua escrava sexual. Morre de pneumonia.

 

Ou Agamenon (Clarice é Lula, Olavo é Dilma):

 

“Olavo, eu não sabia de nada. Eu sei que mamãe morava aqui em casa, por indicação minha, e passava todo o tempo do mundo comigo, mas eu não sabia.”

Olavo demite a sogra e desativa seu quarto que, percebeu, era inútil.

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