Ensaio sobre a psicodelia e conclusões

Do Grego, psicodelia significa expressão/evidência da alma. Poderia (e gostaria) de refletir sobre esse estado, minhas percepções e como isso se relaciona com minhas crenças sobre a origem do universo e o porquê de estarmos aqui. Todavia, teimo em escrever sobre termos práticos – ou seja, como podemos tirar conclusões deste estado para aplicarmos em nossa (triste e efêmera) existência mundana contemporânea.

Até hoje, só consegui atingir o estado psicodélico pela ingestão de substâncias designadas para tal. Apesar de haver relatos de que é possível atingi-lo por outros métodos, insisto na ingestão.

A experiência desse atingimento, em especial a primeira vez, é deveras chocante, assustadora, angelical e divina.

O choque ocorre por nossos cinco sentidos passarem a absorver sensações de um modo completamente diferente de tudo aqui que já vivera e experienciara. A intensidade de como os utilizamos é dramaticamente alterada.

O susto nos acerta pela surpresa de percebemos que a maneira como sentíamos todas as sensações até então não são absolutas e imutáveis. Em outras palavras, é possível sentirmos sensações diferentes para os mesmos estímulos, variando de acordo com nosso estado.

Os anjos (de forma lúdica) aparecem ao percebermos como podemos desfrutar de cada momento e como esses momentos são lindos.

Já o divino é decorrente do estado de onisciência que nossa consciência atinge.

Acredito que esse texto não seja o melhor para discutir os anjos e o divino.

 

Mesmo após semanas depois da minha primeira experiência psicodélica, ainda me pegava refletindo (quase) incessantemente sobre o que havia vivido. E foram o susto e o choque que me levaram à mais prática das conclusões.

Colocamos que cada pessoa, dentro de um curto período, pode sentir e, por conseguinte, reagir (como reagiríamos se nada sentíssemos?) de maneiras completamente distintas, de acordo com seu estado, somado ao fato de, apesar de tentarmos nos expressarmos por meios de palavras, como disse Aldous Huxley (e eu não consigo discordar), cada espírito está condenado a sofrer e gozar em solidão; as mais de sete bilhões de pessoas que habitam nosso planeta são um conjunto de sensações e reações completamente únicas. Sendo assim, como poderíamos sequer julgar alguma ação de outrem?

Os julgamentos são baseados em nossa própria maneira como percebemos os estímulos sentidos, e nossas possíveis reações a eles. Não é muita audácia querer replicar a nossa própria loucura sobre outra pessoa? Cada um de nós é um universo (Raul Seixas me disse isso uma vez).

É muita pretensão dizer que qualquer julgamento é inválido?

Eu não acho que seja.

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Um comentário

  • Todos os seres humanos deveriam buscar esses momentos; são neles que podemos revisar nossa maneira de enxergar o mundo sem sofrer tanta influência do mesmo e usando somente o que temos no mais interior espaço de nós para refletir e sentir. Obrigado pelo texto, é ótimo ter ciência de que cada vez mais pessoas estão entrando em contato com as maravilhas da meditação – mesmo que por ingestão ou outro tipo de indução. Forte abraço, Marcelo.

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