Alimentando-se do Ódio

“Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra.” — Malachy McCourt

Muitos se alimentam do ódio e sequer percebem. Poucos – talvez ninguém – conseguem se livrar desse sentimento. Beber desse veneno vem empurrando a sociedade à frente por milênios. Deve datar do momento em que o humano tomou consciência da sua condição na terra e tomou o mundo de assalto.

Até os pobres daqueles que acreditam nos evangelhos marcam o começo de nossa trajetório por gestos baseados no ódio. Deus odiou Eva. Caim odiou Abel. Nero odiou os humanos. Hitler odiou os judeus. A Igreja odeia os homossexuais (menos os que militam em seus quadros). Os neopetencostais odeiam seus inimigos. Os islâmicos odeiam os ocidentais – e vice-versa.

Duas artistas conseguiram destilar seu ódio em palavras e em um canto selvagem, irritado, gutural, sincero. A canadense, Alanis Morissette, e a brasileira, Meg Stock, da banda Luxúria. Seguem as letras de suas obras. E mais abaixo, vídeos de suas composições.

You Oughta Know
Alanis Morissette

I want you to know

That I’m happy for you

I wish nothing but

The best for you both

 

An older version of me

Is she perverted like me?

Would she go down on you in a theater?

Does she speak eloquently?

And would she have your baby?

I’m sure she’d make a really excellent mother

 

‘Cause the love that you gave, that we made

Wasn’t able to make it enough

For you to be open wide, no

And every time you speak her name

Does she know how you told me you’d hold me

Until you died? ‘Til you died?

But you’re still alive

 

And I’m here to remind you

Of the mess you left when you went away

It’s not fair to deny me

Of the cross I bear that you gave to me

You, you, you oughta know

 

You seem very well

Things look peaceful

I’m not quite as well

I thought you should know

 

Did you forget about me, Mr. Duplicity?

I hate to bug you in the middle of dinner

But it was a slap in the face

How quickly I was replaced

And are you thinking of me when you fuck her?

 

‘Cause the love that you gave, that we made

Wasn’t able to make it enough

For you to be open wide, no

And every time you speak her name

Does she know how you told me you’d hold me

Until you died? ‘Til you died?

But you’re still alive

 

And I’m here to remind you

Of the mess you left when you went away

It’s not fair to deny me

Of the cross I bear that you gave to me

You, you, you oughta know

 

‘Cause the joke that you laid in the bed

That was me, and I’m not going to fade as soon

As you close your eyes, and you know it

And everytime I scratch my nails

Down someone else’s back, I hope you feel it

Well, can you feel it?

 

Well, I’m here to remind you

Of the mess you left when you went away

It’s not fair to deny me

Of the cross I bear that you gave to me

You, you, you oughta know

 

I’m here to remind you

Of the mess you left when you went away

It’s not fair to deny me

Of the cross I bear that you gave to me

You, you, you oughta know

 

Quero que você saiba

Que estou feliz por vocês

Não desejo nada além

Do melhor para vocês dois

 

Uma versão mais velha de mim

Ela é pervertida como eu?

Ela faria sexo oral com você no teatro?

Ela fala eloqüentemente?

E ela teria seu filho?

Tenho certeza que ela seria uma mãe excelente

 

Porque o amor que você deu e que construímos

não foi capaz de fazer

com que você se abrisse totalmente, não

E toda vez que você fala o nome dela

Ela sabe como você dizia que me teria

Até você morrer, até você morrer?

Mas você ainda está vivo

 

E estou aqui para lembrá-lo

Da bagunça que você deixou quando foi embora

Não é justo me negar

Da cruz que eu carrego e que você me deu

Você, você, você precisa saber

 

Você parece muito bem

As coisas parecem em paz

Eu não estou tão bem assim

Achei que você deveria saber

 

Você se esqueceu de mim, Sr. Falsidade?

Detesto incomodá-lo durante o jantar

Mas foi um tapa na cara

O quão rápido fui substituída

E você fica pensando em mim enquanto transa com ela?

 

Porque o amor que você deu e que construímos

não foi capaz de fazer

com que você se abrisse totalmente, não

E toda vez que você fala o nome dela

Ela sabe como você dizia que me teria

Até você morrer, até você morrer?

Mas você ainda está vivo

 

E eu estou aqui para lembrá-lo

Da bagunça que você deixou quando foi embora

Não é justo me negar

Da cruz que eu carrego e que você me deu

Você, você, você precisa saber

 

Porque o brinquedo que você levou para cama

Era eu, e eu não vou sumir tão cedo

Assim que você fechar seus olhos e você sabe disso

E toda vez que arranho as minhas unhas

Nas costas de outra pessoa, eu espero que você sinta

Bem, você consegue sentir?

 

Bem, eu estou aqui para lembrá-lo

Da bagunça que você deixou quando foi embora

Não é justo me negar

Da cruz que eu carrego e que você me deu

Você, você, você precisa saber

 

Eu estou aqui para lembrá-lo

Da bagunça que você deixou quando foi embora

Não é justo me negar

Da cruz que eu carrego e que você me deu

Você, você, você precisa saber

 

Ódio – Luxúria
Meg Stock

Durante muito tempo eu construí uma história em cima de um castelo destruído
E pra fugir dessa realidade dura eu já encontrei mais de mil motivos
Agora essas palavras de pessoas santas parecem música nos meus ouvidos
Já que ficou quase insuportável ouvir a voz dos meus olhos aflitos

De tanto chorar depois que a festa acabar
Se eu não me matar, talvez eu peça ajuda para voltar
De um lugar da onde despenquei feito um anjo que morreu de raiva
Na queda eu me despedacei mas eu já me permito mudar

Eu olhei ao meu redor para reconstruir o meu castelo caído
Pra viver de bons momentos sem ter que ter os olhos escondidos
Já fiz até um testamento que não tem nada, nada, nada escrito
Já que a minha maior herança é a que eu vou levar comigo

Pra evoluir, depois que o terror passar
Se eu não suportar talvez eu peça ajuda pra voltar
De um lugar da onde despenquei feito um anjo que morreu de raiva
Na queda eu me despedacei mas eu já me permito mudar

Esse meu ódio é… Meu ódio é…
O veneno que eu tomo querendo que o outro morra
Esse meu ódio é… Meu ódio é…
O veneno que eu tomo querendo que o outro morra
Querendo que o outro morra
Querendo que o outro morra
Querendo que o outro morra
Querendo que o outro morra

 

 

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3 Comentários

  • Maria Jussara escreveu:

    Já senti ódio! Sei o que é isto! Sei também que destilando este ódio em palavras realmente nos ajuda a lutar e superar do que e de quem este ódio está nos alimentando. Mas, o tempo, só o tempo, fará com que este ódio adormeça, porque o que percebo é que ele não acaba jamais. Pelo menos por aqui.

    • Renata Romaneli escreveu:

      Penso que o ódio pelo outro só se aprensenta em nós quando reconhecemos algo de nosso no outro e quando não gostamos do que vemos de nós mesmos fora de nós a tendência é o repudio ao que é semelhante; odiando estamos nos distanciando do que não gostamos em nós. Isso nos torna semelhantes. Á partir de uma reflexão sobre o que nos incomoda tanto no outro é possível que deixemos de sentir ódio? Penso que sim. Se consiguirmos compreender em nós o que vemos no outro somos capazes de tolerar e até tentar comprender o outro. É claro que estou citando como exemplo minha experiência pessoal e fsamiliar. Você trata do assunto de forma mais abrangente ao colocar em seu texto referências religiosas e históricas e, até musicais.
      Observando suas referências históricas é possível e até ouso dizer que: O ódio pode ser letal para nações inteiras mas, seria muito inocente da minha parte dizer que Hitler alimentou- se e alimentou o ódio contra judeus apenas por ter sido maquiavélico, (com o significado simples da palavra). Ora, então Hitler alimentou-se de ódio em busca do poder e pergunto-me: A sensação de poder absoluto sobre alguém ou um nação inteira ou, um continente inteiro, que seja, a conquista de todas as batalhas é movida só pelo ódio? Claro que existe um componente político-econômico-social que move qualquer guerra que se trave contra um povo. Então retomo a experiência de cada um. O ódio não seria uma forma de soberania sobre o outro por questões econômicas, políticas e sociais? Ricos repudiam pobres. As sinhazinhas burguesas só aceitam uma moradora de alguma favela da cidade se for para entrar pela porta de sertviço de sua casa como “escrava” cozinheira ou passadeira… Porque isto as faz desiguais e ao tornarem-se desigusais é possível que a burguesia continue naturalizando a pobreza e legititimando-a até chegar ao poder usando a miséria como plataforma política. Parece um discurso velho? Realmente é. Não há de novo entre o velho e o novo mundo. O que me preocupa é que a educação pública é a educação imposta pela elite que forma crianças e adolescentes incapazes de refletir. A educação serve á elite brasileira. Os jovens estão sendo programados a não refletirem, não aprendem a pensar por si mesmos e não tem a consciência política porque não conseguem refletir sobre sua própria realidade. Essa banalização do que “é e sempre será” faz gerar ódio e violência porque as oportunidades não são as mesmas. Então a mídia, principalmente televisiva, mostra em seus intervalos comerciais objetos de consumo que não podem ser comprados por todos. O que resta ao menino da favela que deseja ter um tênis novo e não tem nenhuma oportunidade de consumo? Carregar um fuzil e ser soldado do tráfico de drogas.
      Até quando? Até que morra ou seja aprisionado numa guerra quando pm´s resolvem subir o morro. Os que recebem alguma educação tornam-se empregados subalternalizados e conformados servindo a quem elegem. “Alguma coisa está fora da ordem/ Fora da nova ordem mundial…” (Caetano Veloso)

  • Renata Romaneli escreveu:

    Penso que o o ódio pelo outro só se aprensenta em nós quando reconhecemos algo de nosso no outro e quando não gostamos do que vemos de nós mesmos fora de nós a tendência é o repudio ao que é semelhante; odiando estamos nos distanciando do que não gostamos em nós. Isso nos torna semelhantes. Á partir de uma reflexão sobre o que nos incomoda tanto no outro é possível que deixemos de sentir ódio? Penso que sim. Se consiguirmos compreender em nós o que vemos no outro somos capazes de tolerar e até tentar comprender o outro. É claro que estou citando como exemplo minha experiência pessoal. Você trata do assunto de forma mais abrangente ao colocar em seu texto referências religiosas e históricas e, até musicais.
    Observando suas referências históricas é possível e até ouso dizer que: o ódio pode ser letal para nações inteiras mas, seria muito inocente da minha parte dizer que Hitler alimentou- se e alimentou o ódio contra judeus apenas por ter sido maquiavélico (com o significado simples da palavra). Ora, então Hitler alimentou-se de ódio em busca do poder e pergunto-me: a sensação de poder absoluto sobre alguém ou um nação inteira ou um continente inteiro, que seja, a conquista de todas as batalhas é movida só pelo ódio? Claro que existe um componente político-econômico-social que move qualquer guerra que se trave contra um povo. Então retomo a experiência de cada um. O ódio não seria uma forma de soberania sobre o outro por questõe seconômicas, plíticas e sociais? Ricos repudiam pobres. As sinhazinhas burguesas só aceitam uma moradora de alguma favela da cidade se for para entrar pela porta de sertviço de sua casa como “escrava” cozinheira ou passadeira… Por que isto as faz desiguais e ao tornarem-se desigusais é possível que a burguesia continue naturalizando a pobreza e legititimando-se e até chegando ao poder usando a miséria como plataforma política. Parece um discurso velho? Realmente é. Não há de novo entre o velho e o novo mundo. O que me preocupa é que a educação pública é a educação imposta pela elite que forma crianças e adolescentes incapazes de refletir. A educação serve á elite brasileira. Os jovens estam sendo programados a não refletirem, não aprendem a pendar por si mesmos e não tem a consciência política porque não conseguem refletir sobre sua própria realidade. Essa banalização do que “é e sempre será” faz gerar ódio e violência porque as oportunidades não são as mesmas. Então a mídia, principalmente televisiva, mostra em seus intervalos comerciais objetos de consumo que não podem ser comprados por todos. O que resta ao menino da favela que deseja ter um tênis novo e não tem nenhuma oportunidade de consumo? Carregar um fuzil e ser soldado do tráfico de drogas.
    Até quando? Até que morra ou seja aprisionado numa guerra quando pm´s resolvem subir o morro. Os que recebem alguma educação tornam-se empregados subalternalizados e conformados servindo a quem elegem. “Alguma coisa está fora da ordem/ Fora da nova ordem mundial…” (Caetano Veloso)

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