Perdido

Imagine-se um dia à frente de umas palavras de Fernando Pessoa e, de repente, elas começam a se reagrupar e, quando menos se percebe, tomam uma forma inteira por si só. Mais. Ganham uma melodia, uma melodia que faz com que seus sentidos se agucem no sentido daquelas letras. O violão marcado, marcante, a guitarra tensa, dura, gritante…

Perdido

(Hary / Fernando Pessoa)

Perdido

No labirinto de mim mesmo

Já não sei qual o caminho

Que me leva dele à realidade humana

E clara… cheia de luz, onde sentir-me irmãos

Ah… Parar de pensar!

Pôr um limite ao mistério possível

Quanto mais claro vejo em mim

Mais escuro é o que vejo

Não é vício

Nem a experiência que desflora a alma

É só o pensamento

Só a inocência e a ignorância são felizes

Mas nem mesmo elas sabem

Quanto mais claro vejo em mim (Que é ser sem no saber)

Mais escuro é o que vejo (Ser, como pedra)

Quanto mais claro vejo em mim (Um lugar)

Mais escuro é o que vejo (Nada mais)


Agradeço a um grande amigo que um dia fez uma folha de Pessoa chegar às minhas mãos, me desafiando a musicá-la. Que ele saiba que foi ela que musicou a si mesma… Fui mero instrumento.

(Aqui, por enquanto, a letra. Quem sabe, qualquer hora dessas uma gravação não surge por aqui também…)
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