Carta aberta aos evangélicos brasileiros, ou, somos todos livres

Imagem de cunho cristão, meramente ilustrativa em referência ao texto e não representa a opinião do autor. 

Olá, meu caro evangélico. Tenho ouvido falar bastante de você nos últimos dias. No entanto, queria compartilhar meu sentimento geral sobre o quê tenho ouvido. Espero que você me entenda e me mostre que estou errado.

Eu imagino que você seja uma pessoa como eu. Família, talvez já com filhos, amigos, emprego, contas, saúde, educação, enfim, um mundaréu de coisas para pensar, administrar e se ocupar no dia a dia. E imagino também que você leia jornais, revistas, artigos na internet e até bons textos, em meio às fofocas, ofensas indiscriminadas e vídeos de gatinhos e crianças, na linha do tempo da sua rede social favorita.

O que tem me intrigado sobre você é como outros – ou no caso uns poucos – se referem a você. Não acredito de verdade que você goste. Pelo que eu entendi, esses poucos, que se autointulam seus líderes, saíram à caça de poder, prestígio e obediência dos candidatos de uma forma que não pode ser descrita com palavra melhor do que chantagem. Ou o candidato segue a orientação desse tal líder ou você – obediente a esse cidadão poderosíssimo e incapaz de pensar por si mesmo – vai votar em outro porque ele mandou. Eu te lembro que a agenda defendida por esses tais líderes, que, tenho certeza, não representam a totalidade das suas ideias, inclui a exclusão dos direitos de diversas minorias. Eu tenho certeza que um seguidor de Jesus, como você, jamais nutrirá ódio e cortará o direito dos outros. Então, continuo cheio de esperança de que você seja muito melhor do que seus supostos líderes querem nos fazer ver.

Quando Jesus começou a pregar a palavra de Deus, a qual você tanto se apega e venera, ELE era o diferente. Ele era o perseguido. Ele era tratado como louco, lunático, hippie. Ele nunca apontou o dedo contra alguém. Ele nunca tentou privar ninguém de nada. Nem mesmo usou Deus como instrumento de ameaça e ódio. Ele se aproximava dos isolados. E Ele foi morto por um grupo de pessoas reunidas em torno de um líder! E você? Você é como Jesus que trouxe algo novo e sempre soube, segundo as escrituras, lidar com todos os povos? Ou você é esse poço de ódio do qual tenho ouvido falar através dos seus líderes? Você é aquele que veio aliviar o sofrimento ou aquele que vai bater o martelo no prego para garantir que o já crucificado sofra mais?

Veja que interessante, os outros 150 milhões de brasileiros aceitam o seu direito ao culto e a adorar a figura de Jesus Cristo mais que qualquer coisa nessa vida. Esses “não evangélicos” te respeitam, muitos até te amam de verdade, e se você precisar de algo mais para viver sua fé, possivelmente te apoiarão. Agora, VOCÊ deveria se lembrar, nesse momento de reflexão, de que na sua Bíblia (pode abrir aí para conferir pois sei que ela estará à mão) em Mateus 9:49-50, João tenta dizer ao nosso senhor que eles tinham se ocupado de impedir que outros agissem pelo bem geral e tentado cercear o direito de outras pessoas: “Mestre, vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos”. A resposta de Jesus foi direta: “Não o impeçam”, disse Jesus, “pois quem não é contra vocês, é a favor de vocês.”

Preciso ouvir de você quem você  realmente é. Ou você é um ser humano livre, assim como eu e os outros três quartos dos brasileiros, ou é um soldado no front de batalha de uma guerra (sem sentido, como todas as outras) e que não tem outra opção a não ser confiar cegamente no seu líder e atacar e matar sob sua orientação a qualquer tempo. Esse é você?

Não deixe esses supostos líderes mancharem a imagem da sua religião. Não aceite que esses neófobos falem em seu nome e façam todos os outros 150 milhões pensarem que você é um intolerante, um fundamentalista. Tenho certeza que isso não é verdade. Manifeste-se como ser livre que você é!

Tenho certeza que somos todos humanos. E, aproveitemos, eu e você, pois por aqui, ainda, somos todos livres!

 

Leia também: Carta aberta aos não evangélicos brasileiros, ou, até quando

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3 Comentários

  • Achei o texto bastante coerente. E esses dias também tinha pensado numa carta aberta aos evangélicos, pois o que temos visto e ouvido sobre o posicionamento dos evangélicos nas questões atuais da realidade brasileira denotam um povo que desconhece história, sociologia, geopolítica e Política além dos partidos. Seria urgente que esse mesmo povo se dedicasse a crescer também no conhecimento e não só na graça ( que também tem se tornado raridade), assim como ensinou Jesus, nosso mestre de vida e não só de palavras.

  • Mariana Ferreira de Toledo escreveu:

    Resposta à carta aberta aos evangélicos brasileiros

    Olá, Hary Oliveira!
    Na verdade, quando abri sua carta, pensei: “Mais uma que aparece para ofender o evangélico, para dizer que eles são um bando de alienados e etc.” Porque é isso que eu mais tenho lido ultimamente, ainda mais agora nesse período de eleições. Contudo, ao terminar de lê-la, agradeci a Deus porque ainda existem pessoas que (independentemente de algumas ironias) sabem se dirigir a “nós” com respeito e sem generalizações. Até o momento sua publicação é a única à qual eu me dou ao trabalho de responder, pois você parece dar uma abertura sincera para isso.
    Antes de tudo, para esclarecer qual é o grupo que estou representando nesta resposta, precisamos pensar um pouco no que significam os adjetivos “evangélico” e “cristão”, bem como o que significa o substantivo “religião”. Vamos começar por este último. Há umas duas semanas mais ou menos em minha igreja, no grupo de jovens da escola bíblica, discutíamos exatamente isso. O pastor nos explicou que a palavra “religião” em sua essência, tem um significado até que bonito: significa ligar o homem a uma divindade. Um dos jovens ainda acrescentou algo bem interessante: ele não se considera religioso e um dos motivos é justamente esse: a palavra religião remete a uma tentativa do homem de se aproximar de Deus, e isso é impossível. Se temos acesso a Deus foi porque Ele, quando na pessoa de Jesus “se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14), se aproximou do homem. Isso significa que o grupo que represento aqui não é o grupo dos religiosos.
    Pensemos então na palavra “evangélico”. Para mim esse adjetivo qualifica o indivíduo que crê no Evangelho. E o que é Evangelho? Essa palavra significa “boa notícia”, ou seja, a boa notícia trazida por Jesus. Qual é essa boa notícia? Isso tentarei explicar como um p.s. porque senão fugiremos muito do assunto. Atualmente, esse adjetivo passou a ser usado para definir aquela pessoa que segue uma “religião”, a religião “evangélica” (nem se pensa mais em “protestantismo”, apesar de que isso para mim não faz a menor diferença). Bom, aqui estou representando o grupo que se define como evangélico pelo primeiro significado, ou seja, represento aqueles que creem na boa notícia trazida por Jesus. Se em algum outro momento da carta eu utilizar a palavra “evangélico” e me incluir no grupo, saiba que não estou me referindo aos praticantes da religião.
    Por último, vamos analisar a palavra “cristão”. Geralmente entende-se que cristão é aquele que crê que Jesus é o Cristo (Cristo significa Messias, ou seja, o resgatador). Por isso é possível dizer que os evangélicos são cristãos, os católicos e qualquer outra religião que aceite que Jesus é Cristo. Eu creio que Jesus é Cristo, por isso sou cristã. Falando pelo grupo agora, nós não somente cremos, mas fomos resgatados por Ele, graças ao seu amor incondicional: “Porque Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único, para que todo o que nele crê não morra, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (João 3:16,17).
    A partir disso, tentarei definir qual é o grupo que represento e em seguida responderei à sua carta: Represento um grupo que não vive por uma religião e que nem mesmo se considera religioso. É um grupo de evangélicos no sentido de que cremos e aceitamos o Evangelho trazido por Jesus, e não porque frequentamos uma igreja intitulada “evangélica”. Também nos denominamos cristãos não somente porque cremos que Jesus é o Messias, mas porque decidimos, como forma de corresponder ao amor que Jesus nos ofereceu, nos sujeitar à sua vontade e seguir suas instruções, que compreendemos ser as melhores.
    Só mais uma coisa que ainda quero esclarecer: veja bem que acima escrevi que “decidimos” seguir a Cristo e seguir suas instruções que “compreendemos” ser as melhores. O grupo que represento pensa, questiona, compreende, decide. Não é um grupo que se deixa levar pelas mentiras de alguns líderes que se autodenominam pastores. Não é um grupo de alienados que vota nesse ou naquele candidato simplesmente porque um pastor famoso mandou. Não somos um grupo de ignorantes, como já escutei e li muitas vezes por aí. Nossa fé é racional. Eu, particularmente, decidi me submeter a Jesus não porque me deixei levar por uma emoção, nem porque um pastor gritava que nem um louco num microfone enquanto outros “irmãos” rodopiavam pela igreja pronunciando palavras incompreensíveis, não foi por emoção, nada disso! Simplesmente decidi porque li a Bíblia, li os Evangelhos, as cartas de Paulo e para mim tudo fazia sentido. Então pela fé eu me submeti e a partir daí comecei um relacionamento pessoal com Jesus e posso dizer que hoje o amo porque Ele decidiu me amar primeiro. Um dos problemas que meu grupo enfrenta é justamente esse: Sim, temos liberdade de professarmos a fé, temos direitos, deveres, como todo mundo. Mas existe um discurso de ódio (não de sua parte, como já falei, é justamente por isso que estou te respondendo) que usa como principal argumento para nos atacar o fato de que os evangélicos são burros, ignorantes e alienados, que não têm opinião nem decisão própria. Isso não é verdade. A parte mais interessante da “boa notícia” que define a palavra Evangelho é justamente a liberdade que recebemos em Jesus. Também não estou nada de acordo quando escuto que todo pastor é rico e ladrão. Os únicos pastores ricos que “conheço” são esses da televisão. E olha que pessoalmente eu conheço muitos e muitos pastores, mas nenhum é rico nem ladrão. O que acontece é que esses que nos definem dessa forma generalizam, porque tudo o que conhecem do “evangélico” é o que veem na TV. E eu garanto que pelo menos 90% dos programas “evangélicos” da TV NÃO representam o grupo que estou representando aqui. Esses programas podem representar, no máximo, uma religião (mas acho que não chegam nem a isso) que, infelizmente, estão convencendo um número grande de pessoas. Alguém pode dizer: tudo bem, Mariana, mas esse grupo que você representa é minoria no meio evangélico. Eu posso dizer que não somos. Não somos poucos! O que acontece é que esse meu grupo, que é grande, não perde tempo nem dinheiro tentando aparecer na televisão, então acabamos não sendo tão conhecidos. E algumas vezes também por omissão, porque erramos ao tentar evitar discussões que geram confrontos com um ou outro grupo. Mas tenho certeza de que essas pessoas que citei acima, do discurso de ódio, conhecem no mínimo um cristão que não é assim como eles pensam e condenam. E quanto a quem é jovem universitário que está lendo essa resposta, tente ir um dia a um grupo de encontro da ABU (Aliança Bíblica Universitária) ou do Alfa e Ômega, da Cruzada Estudantil e Profissional Para Cristo. Lá você vai encontrar vários jovens cristãos evangélicos que se sentem representados por essa minha resposta. Inclusive esses grupos não vão tomar seu dinheiro nem te obrigar a crer na mesma coisa que cremos, lá você vai discutir a Bíblia, o Evangelho, racionalmente, você pode questionar, pode discordar, como queira. Fica aí o desafio!
    Bem, agora vamos para a resposta (apesar de que com o que falei até agora acabei respondendo a alguns pontos que você mencionou em sua carta). Sim, temos uma rotina muitas vezes parecida com a sua: contas para pagar, ônibus lotados, trânsito, provas e trabalhos da faculdade, dificuldades no emprego etc. Tentamos nos manifestar de maneira mais útil nas redes sociais, mais do que gastarmos nosso tempo compartilhando vídeos de animais e de criancinhas, mas às vezes o vídeo é tão fofo que não dá para não compartilhar (anteontem mesmo vi um de um homem dando banho em seu cachorro e o folgado estava todo de boa dentro da bacia, aproveitando a massagem como se estivesse num SPA, acho que isso também faz parte da cultura das redes sociais).
    Agora, entrando no assunto “política”, você tem toda a razão. Jesus nunca apontou o dedo contra alguém. Inclusive uma vez ele salvou uma mulher que estava por ser apedrejada porque havia traído seu marido. Homens trouxeram-na até ele e disseram: “’Mestre, essa mulher foi surpreendida em flagrante delito de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. Tu, pois, que dizes?’ Eles assim diziam para pô-lo à prova, a fim de terem matéria para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia no chão com o dedo. Como persistissem em interrogá-lo, ergueu-se e lhes disse: ‘Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra!’ Inclinando-se de novo, escrevia no chão. Eles, porém, ouvindo isso, saíram um após outro, a começar pelos mais velhos. Ele ficou sozinho e a mulher permanecia lá no meio. Então, erguendo-se, Jesus lhe disse: ‘Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?’ Disse ela: ‘Ninguém, Senhor.” Disse, então, Jesus: “Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais.” (João 8:4-11) Veja bem que naquele grupo Jesus era o único que não tinha pecado, Ele era o único que poderia aceitar o desafio e atirar-lhe uma pedra, mas não o fez.
    Então você está certa! E está certa também quando diz que esses alguns líderes poderosíssimos não estão agindo da mesma maneira que Jesus. Você entende então que cristão é aquele que procura agir como Jesus agiria, seguindo suas instruções. É por isso que o grupo que eu represento não é o mesmo grupo desses ditos pastores, apóstolos, arcanjos e sabe-se lá quem mais. Jesus não apontou o dedo nem atirou pedra em ninguém, mas condenou fortemente a hipocrisia e a atitude dos religiosos da época em tentar manipular o povo de acordo com seus interesses. Leia todo o capítulo 23 de Mateus, eu só vou citar alguns versículos porque é muito grande! v. 13: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo”; v. 15: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês.”; v. 25 e 26: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo.”; v. 28: “Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade.”
    É por isso que creio que se Jesus estivesse aqui na Terra nessa geração, ele não teria papas na língua para criticar atitudes desse grupo que você mencionou. E obviamente seria perseguido e acusado de blasfemo, assim como fizeram naquela época.
    Você disse: “Eu tenho certeza que um seguidor de Jesus, como você, jamais nutrirá ódio e cortará o direito dos outros.” Não, um seguidor de Jesus não deve fazer isso, como Jesus também não o fez. Quando Ele veio e morreu para pagar um castigo que era nosso, Ele fez isso para todos os que aceitarem, não forçou nem força ninguém a aceitar. É direito da pessoa decidir. Se Jesus reconhece isso, quem somos nós para negarmos o direito a alguém??? Não sei se isso te tranquiliza, mas fique sabendo que o grupo que eu represento não apoia nem vai apoiar ninguém que não respeita o direito de decisão de qualquer pessoa. Um cristão, um evangélico, no sentido real dessas palavras, como expliquei no início, não deve nutrir ódio contra ninguém. Ao contrário, devemos seguir a instrução de Jesus, que, quando lhe perguntaram qual era o maior de todos os mandamentos, respondeu: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22:36-38, itálico meu).
    Só não concordo muito com você em um ponto. Quando você tentou comparar a atitude desses religiosos que aparecem como evangélicos com as atitudes de Jesus, você disse que este foi tratado como louco, foi perseguido e foi morto por um grupo de pessoas. É a expressão “foi morto” que me incomoda. Isso já não tem tanto a ver com o tema, mas não posso deixar de falar. Até hoje as pessoas tentam encontrar um culpado para a morte de Jesus. Isso já causou problemas terríveis, os judeus que o digam! Para muitos a culpa é deles, porque se recusaram a crer que Jesus era o Messias prometido no Tanach. Para outros, a culpa era de um grupo específico de judeus, isto é, dos fariseus. Outros culpam a Pilatos, que tinha autoridade para absolvê-lo, ou a Judas Iscariotes, que o traiu… Enfim, a grande questão é: Jesus morreu ou foi morto? Parece a mesma coisa, mas não é. Com “Jesus morreu” quero dizer que ele se voluntariou para fazer isso, ele ofereceu sua vida. Com “Foi morto”, quero dizer que ele foi assassinado. John Stott refletiu sobre isso em um livro que estou lendo (“A Cruz de Cristo”, editora Vida) e chegou à seguinte conclusão (à qual estou de acordo): “Embora Jesus tivesse sido levado à morte pelos pecados humanos, ele não morreu como mártir. Pelo contrário, ele foi à cruz espontaneamente, até mesmo deliberadamente. Desde o começo de seu ministério público, ele se consagrou a esse destino. (…) Por que Jesus Cristo morreu? Minha primeira resposta foi que ele não morreu; ele foi morto. Agora, porém, devo equilibrar essa resposta com o seu oposto. Ele não foi morto, ele morreu, entregando-se voluntariamente para fazer a vontade do Pai.” (p. 62, 63). Ainda em seu ministério ele constantemente falava aos discípulos sobre o que aconteceria. Por exemplo quando comentou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (João 10:11), e “Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade. Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem recebi de meu Pai” (João 10:17,18)
    Bom, e só para terminar (antes do p.s. que prometi), comento o que você escreveu: “Você é aquele que veio aliviar o sofrimento ou aquele que vai bater o martelo no prego para garantir que o já crucificado sofra mais?” Nem eu nem o grupo que represento somos nenhuma das duas coisas. Sobre a segunda parte da pergunta creio que já me fiz clara. Quanto à primeira, infelizmente não somos capazes de aliviar o sofrimento de ninguém. Mas Jesus sim! Ele não está morto. Morreu sim, mas Deus o ressuscitou dos mortos. Foi ele quem disse pouco antes de morrer: “Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:29-30).
    Atenciosamente,
    Mariana Ferreira de Toledo

    p.s.: Logo no começo de minha carta resposta, falei que evangélico é aquele que crê no Evangelho, ou seja, na boa notícia trazida por Jesus Cristo. Qual é essa boa notícia? Bem, para chegar a ela preciso contextualizar, senão a explicação ficará bem confusa. Além disso, crer na boa notícia e recebê-la implica crer em cada um dos pontos que vou mencionar agora:
    Primeiro, cremos que Deus é o criador de todas as coisas, do universo, dos seres vivos e de nós, seres humanos (Apocalipse 4:11). Ele deu ao ser humano autoridade sobre sua criação, desde que respeitássemos sua autoridade e seguíssemos suas instruções. Porém o homem decidiu não viver debaixo da autoridade de Deus e tentou controlar sua vida à sua própria maneira (Romanos 3:10-12). Como eu disse na carta, Deus respeita as decisões das pessoas, ele não força ninguém a tomar decisão alguma. Porém essa decisão humana tem uma consequência: a morte (Hebreus 9:27). Por que a morte? Se Deus é o criador de todas as coisas, inclusive da vida, quer dizer que Ele é o gerador da vida. Quando o homem decide não depender de Deus, ele mesmo está escolhendo a morte. Então isso não é meramente o castigo de um Deus vingativo, é simplesmente uma consequência inevitável. Mesmo assim, Deus ainda fez tentativas de reaproximação. Contudo, a grande ideia (e a boa notícia do Evangelho) é o amor desse Deus que enviou Jesus à terra, e este viveu cada instante debaixo da autoridade de Deus, ele não se rebelou, como os homens sempre fizeram. E, mesmo sendo obediente e não necessitando sofrer a consequência inevitável da morte, ele ofereceu sua vida e morreu como se fosse um de nós, para que através de seu sacrifício pudéssemos retomar a relação com Deus e termos direito a uma vida eterna, já que estaríamos outra vez próximos à fonte de vida (I Pedro 3:18). Cremos também que Jesus, sendo Deus, foi capaz de vencer a morte (pois Ele era a própria vida) e ressuscitou (I Pedro 1:3) e nos prometeu vida eterna, ou seja, passaremos pela morte física aqui, mas não tememos a morte eterna porque estaremos ao lado do gerador da vida. Aqueles que rejeitam depender dessa fonte não tem a vida eterna pelo que já falei e, pensando por esse viés, isso acaba sendo meio óbvio. Se uma pessoa que está no deserto sabe que há uma fonte de água disponível e fica ali por perto, ela sempre terá água. Aquela que decide ficar longe da fonte, simplesmente não beberá da água.
    O grupo que represento crê nisso e decidiu se submeter à autoridade de Jesus e a seguir suas instruções. O grupo que represento afirma tudo isso sem medo, mas não força ninguém a crer na mesma coisa. O grupo que represento está disposto a defender o que crê até o fim, porém, sem desrespeitar o direito dos outros, não importa se o outro crê ou não no mesmo. Se você leu tudo, te agradeço pela paciência!

  • [...] também: Carta aberta aos evangélicos brasileiros, ou, somos todos livres Comentários no Facebook comentários no Facebook 8 de setembro de 2010 – 11:14 | Por [...]

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