Carta aberta aos não evangélicos brasileiros, ou, até quando

Charge de Latuff sobre o Estado Laico no Brasil

Olá meu caro cidadão “não evangélico”. Você que é um entre 150 milhões de brasileiros. Posso te fazer umas perguntas? Gostaria de saber até quando…

… até quando você vai aceitar que minorias sejam impedidas de ter acesso a direitos que a constituição deveria garantir a todos?

… até quando você vai assistir que autointitulados líderes de determinados grupos (que por maiores que pareçam não representam a maioria da população) imponham seus interesses sobre questões importantes de estado e chantageiem políticos todos os dias com um status absurdo de normalidade?

… até quando você vai ficar de boca fechada assistindo grupos organizados defenderem uma agenda de ódio e vai aceitar que representantes eleitos também por você se curvem e aceitem essas pressões?

… até quando você vai aceitar que um quarto da população seja instilado a não pensar e a não respeitar os demais (você inclusive) por supostos líderes que vivem vidas luxuosas bancadas pela fé desses incautos.

… até quando você aceitar a política do toma lá dá cá e a da chantagem rolando solta nas suas barbas.

… até quando você vai ter medo de criticar um líder religioso por preferir evitar conflitos e por não querer ofender a religião que esse professa, mesmo assistindo a esse exercíto de pastores pusilânimes e covardes, que, tenho certeza, não representam o sentimento verdadeiro mesmo dos seus próprios fiéis?

… até quando você vai aceitar o dedo de Deus na política?

… até quando você deixar a sua própria vida e a de tantos outros à mercê da indústria do medo, que brota em face da falência do Estado?

Artigo de Jorge Antonio Barros e Marcia Vieira, publicado em O Globo, nos lembra análise interessante de Roberto Romano, autor de ‘Brasil: Igreja contra Estado’. O filósofo nos aponta que “sempre que a democracia laica entra em crise (e vivemos uma crise do Estado laico e democrático no mundo), as formas religiosas surgem como autoridade máxima.” Ele chama isso de dialética do medo e da esperança. “Quando a segurança estatal mostra fraturas graves, a esperança de sobrevida se esvai e chega o medo da morte. E, no reino da morte, imperam as religiões.”

Independentemente das próprias crenças, tenho certeza que a grande massa de religiosos “não evangélicos”, entre esses 150 milhões, que somos NÓS, católicos, umbandistas, judeus, budistas, congregados com agnósticos e ateus, não aguenta mais ouvir falar do “peso dos evangélicos” ou de gente como “Felicianos”, “Macedos” e “Malafaias” apontando o dedo, ameaçando e versando palavras de ódio e discriminação em nome da sua crença e de gente humilde, simples e de bom coração que eles ludibriam, mas que, com certeza, não representam!

E você, vai pôr a boca no trombone e se manifestar ou ficar aí assistindo a esse show de horror, sentado confortavelmente, enquanto tudo à sua volta rui? Chega! Mobilize-se. Diga que NÃO aceita mais essa chantagem. Pressione também os candidatos. Diga que você é parte dos outros 150 milhões e quer respeito. Quer integridade. Quer moral. Quer minorias protegidas. Nossa sociedade está doente. A decadência moral parece não ter fim. Só não sabemos (e, sim, você e eu podemos somos parte da solução) até quando…

 

Leia também: Carta aberta aos evangélicos brasileiros, ou, somos todos livres

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9 Comentários

  • Uma lástima essa ” campanha ” a Presidente.

  • gledson esmeraldo escreveu:

    Não sigo a nenhum líder. A maioria para mim são charlatões. Todavia, não se pode generalizar a classe evangélica, mesmo estando esta, corrompida pelo joio.Lembrem-se que a maioria dos conflitos fundamentalistas e de extermínio em massa começam com discursos baseados na manutenção dos direitos civis. Direitos estes, que nunca vão existir de fato. Sinto algum ódio e intolerância embutidos neste tipo de discurso.

  • Jerlany escreveu:

    Quanta apologia às divisões.Quanta raiva instilada nessa carta.

  • e.s.daniel escreveu:

    essa carta na minha opiniao não representa,uma busca por melhora,ou por uma mobilizaçao,incentivadora em busca de beneficios comuns a sociedade,ta parecendo mais uma militancia desorganizada e uma opinião própria,simplista e subjetiva,incentivando mais a separaçao,divisão,de uma naçao do que uma união buscando os interesses comuns,digo não a isso!!Uma sociedade nao pode sobreviver sem os valores Morais,sem o amor sem o bem viveriamos mergulhado no caos.

  • Dagilson escreveu:

    Como quem representa a maioria, pode dar prioridade a em conceder direito as minorias?
    Não parece ser incoerente estes argumentos?

  • Um dia os pedófilos vão se declarar minoria e exigir seus direitos alegando que sua perversão é normal e a sociedade podre vai fazer campanha em prol.No passado pederastia era crime, hoje em dia é normal. Os valores mudam conforme as gerações e nós nos tornamos hipócritas obsoletos dignos do escarnio de quem ainda não nasceu.,

  • Só acho que religião, não deveria se misturar com politica. O nome de Deus deve ser respeitado e não solicitado para campanhas vergonhosas como é a politica no Brasil, Esses líderes religiosos usam o nome de Deus para se promoverem, sem essa, ja chega oque roubam do povo, dentro de suas igrejas. É o que eu penso.

  • Infelizmente nos tornamos uma sociedade intolerante. Há tantas opiniões defendendo “seus” direitos! O problema é que defender direitos implica, nesses casos, ofender quem pensa diferente. Parece que alguém acreditar em alguma coisa é motivo pra ser atacado por quem pensa em outra. Ninguém mais pode ter sua opinião sem ser criticado, ofendido ou desprezado. É ateu? Tá errado. É cristão? Tá errado. Crê num Criador? Tá errado. Crê na evolução? Tá errado. Apoia fulano? Tá errado. Apoia sicrano? Tá errado? Gosta do sexo oposto? Tá errado. Gosta do mesmo sexo? Tá errado.
    Cada um acredita (ou não) no que quiser. A questão é: RESPEITO MEU PRÓXIMO?
    O que está faltando na sociedade HÁ MUITO TEMPO é ´RESPEITO e ÉTICA. Falta consideração pelo SER HUMANO.
    Lamentável presenciarmos tanta hostilidade. Debates são bons, mas o que vemos atualmente são ataques para denegrir, menosprezar e ridicularizar o que há de mais “sagrado”: O DIREITO de sermos INDIVÍDUOS (e não uma “manada” ou “produtos em série”!

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