Quanto Prazer

Deleite. Encanto. Já encontrou sua melhor forma de obter o máximo prazer? Indescritível. É assim que tem que ser.

Somos frugais. Ponto final. Nada é como encontrar o que nos deleita. Nossa humanidade é carnal. Espiritualize-se quem quiser. Mas é na pele, nos dedos, no corpo que se sente a vibração do gozo supremo. E não é do sexual apenas que se trata. É regozijar-se em função do encontro com o que te satisfaz. Com o que alimenta a alma. Jorros de serotonina vomitados na corrente sanguínea.

Contamine seu corpo todo. Só assim se encontra o desejo fundamental. Vontade maldita de querer mais. O melhor dos vícios. A maior das doenças. Muito prazer. O cumprimento padrão, burocrata e antigo não esconde o que perseguimos por essência. Bandeirantes atrás das mais variadas formas de obter satisfação individual. Quero mais. Sempre. Quero muito. Sempre. Quero sempre, enfim.

Se não isso, qual é o maldito sentido de nossas existências do qual tanto se fala?

Descobri que a adrenalina me enlouquece. Mais o instinto da competição. Na ponta dos meus pés a velocidade máxima é buscada. Ensurdecedoramente, entrego-me à direção irresponsável e à disputa por uma insensata posição melhor. Por um tempo ligeiramente menor, mas de valor indescritível. Mais. Não é o outro que importa. Naquele momento, é a superação que faz diferença. Que inebria. Descobrir o que dá prazer é descobrir obsessões. Positivas. Viciantes.

O que te faz delirar? Afagar seu próprio bebê pode fazer isso e quem não tem um não vai descobrir. Outros têm mas não encontraram nada ali. A busca tem que ser incessante. O coração precisa disparar. Uma cama com mais de uma opção é uma imagem que te incendeia? Vá atrás disso. A alternativa é dormir abraçado a um fantasma que só pode te assombrar enquanto suas mãos estão atadas.

Falta coragem à maioria. Poucos se aventuram e desvendam suas fontes. Medo de não conseguir mais? Um salve aos viciados que não se apavoram frente à última dose seja do que for. Há que se encontrar mais. Pode não ser fácil. Pode ser impossível. Mas pode ser que haja mais. E eles estarão lá nesse momento.

Não há regras. Há a moral atrás de nós. Nesse intervalo há um mundo de escolhas. Tente. Eleja o que te faz ter mais de você mesmo. Ou é você o quê? Gota d’água em um rio sem nenhum controle sobre seu destino? Há como fugir dessa corrente supostamente imparável. Basta querer. Basta não aceitar acordar pela manhã e não ter nada inacreditável te aguardando ao longo do dia. Basta não admitir colocar a cabeça a repousar sobre o travesseiro e não ter mais nenhuma história nova para se lembrar. Para se orgulhar. Para ter vontade de conseguir mais naquele exato momento.

Como fazer? Fórmulas mágicas estão à disposição nas farmácias homeopatas. Para a vida não estão disponíveis, infelizmente. No entanto, um jeito perfeito de nunca obter nada disso é não tentar. Essa decisão é de uma certeza indescritível. É a opção pela mesmice. Ouse enquanto é tempo. Todos vão ter seu momento de dizer adeus enquanto uma torre desaba sobre seus corpos. Espero que o meu esteja repleto de satisfação no meu dia.

E o preço a pagar, qual é? É que optarmos em pagar. A vida é uma barganha contínua entre desejos e necessidades. Um depende do outro de qualquer forma. Não quero ser um andarilho viciado em crack numa viela qualquer. Mas não tenho mais medo de tocar na borda. De brincar com o limite. Mesmo a Amélia da canção, que parece abdicar de sua vida em função de seu macho, pode ser louvada se isso lhe dava o máximo prazer que pudesse obter àquela época. Nunca saberemos.

Farte-se nas oportunidades e não se furte as tentativas. Dê um toque de surrealidade à sua existência. Ali moram as descobertas que podem mudar uma vida medíocre. Junte-se aos supostos loucos e aprenda com eles. Ouça. Sobretudo, aja!

Quer tragar a fumaça maldita que vai detonar seus pulmões até seu fim? Trague. Ou não. A história tem sempre um final imprevisível, mas o que traz de prazer medido contra o risco deve ser a sua baliza para a decisão. Optar sempre por não seguir quando há algo de perigoso, algo que pode dar errado é se enquadrar no todo mundo. Na curva normal. Na insignificância.

Indigne-se contra seus receios. Empurre-se contra o muro. Ele vai cair. Do outro lado pode estar o que você sequer procurava exatamente e que vai suprir sua biografia de fatos inesquecíveis. Que vai alimentar suas histórias. Principalmente, o que vai te dar esse prazer.

Não um pequeno prazer. Sim, aquele tipo que vai te deixar extasiado. Com o coração acelerado. Com a boca seca. Com as mãos trêmulas. Com a alma lavada. Com o desejo ainda mais forte. Com uma vontade incontrolável de querer mais.

Pobres os que não têm nessa vida o máximo de prazer que se pode obter. Que encontrem, em algum momento, sua injeção de serotonina.

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