De mim só restará a saudade

Sempre estive lá.

Por opção, convenhamos. Por conveniência, saiba-se. Por acaso…

Mentira!

Era a maldita vontade. Sempre ela. A única personificação do diabo que tive notícia.

Encontros e desencontros.

Fatalidade. Fartura delas. Farto, isso sim!

Exclamo que existo e sei que não é para sempre. Sinto que é por pouco tempo na verdade. Ainda mais sendo o tempo tanto algoz quanto ficção. Longo e curto é insignificante. Vale sua significância; seu significado.

Fútil lamentar. A experiência estava incompleta. Não existirá experiência completa. Não com a morte no porvir. Eternamente. Por isso busca-se a imortalidade da alma frente à certeza da inexorável podridão do corpo. Acredita-se desavergonhadamente na mentira para evitar o sofrimento do conhecimento da verdade. Que assim seja. Bem-aventurados os que creem. Desgraçados os que sabem.

E o amor? O amor é a máxima maior da existência. O amor é o mínimo para ser. É o estado da arte de viver. A completude do ser humano.

Tem que se trilhar o caminho. O caminho que se desenha todos os dias. O destino é uma farsa. O destino é a opção dos fracos. Números e signos guiam quem se dependura nesse cabide prático.

Sou a minha história. E só. Sou memória.

As cicatrizes que deixo. As marcas que crio. As verdades e mentiras deixadas sob risos e lágrimas. Sou isso e só. É o que sois, o que somos e o que seremos. Todos.

Somos mutantes. Farsantes dessa complexa cadeia idealizada pelos racionais pouco pensantes e brilhantes que somos.

E naquela hora esperada – a única certa – transitarei à história.

E de mim só restará a saudade.

 

(uma história de uns poucos; de uns muitos; de parte de todos)

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