Ei, Moleque

Sentimento estranho de contemplação. Mesmo antes de tudo. Mesmo antes do nada. Curioso. Clarividente.

Fica longe que eu não quero saber de você. Será? Será o que tiver que ser. O que houve. Aquelas jabuticabas iluminadas acima daquelas maças são um inferno de conquista. Contam tanta coisa. Mesmo no mar de silêncio. Quanta história sem nenhuma palavra. Quantos sentimentos num toque tão leve de uma mão tão pequena. Tanta vida. Quantos sorrisos. Carência? Não. Querência.

Não, não vou te amar. Não mesmo. Pai? Não posso não te amar. Eu te amo tanto. Escolha. Mútua. Única. Concepção mais do que consumada. Verdadeira. Incondicional.

Magia? Não acredito. Sorte? Com certeza. Isso tudo e todo além-mar. E além.

Mas ainda além, além de tudo isso, havia um amor. O amor que se sente dono dessa liga. O amor que se expande sobre quaisquer outros. O amor cuja essência aquiesceu frente à mediocridade. A nossa mediocridade. Mútua. Ainda que singular na forma, óbvia no sentido e na expectativa. O amor não fala. Advogamos nossas pobres causas em seu nome. Palavras viram marimbondos venenosos e descontrolados. Vis. Sem retorno. A nosso serviço, ora. Pois todo amor se julga perfeito e dita regras.

Assim as garras do destino ousaram cravar-se em nós. Agora é lutar. Mesmo sorrir. Seguir, pois que o devir não tem lugar aqui. Não nessa liga que amiúde choro. Desespero. Venero. Quero. Espero. Até o Clero há que se manifestar, aos gritos e imposições tanto estapafúrdias quanto esperadas, claro. Mas essa amálgama é eterna. Terna. Tenra. Nossa. Bossa. Minha fossa.

Mas estar no fosso tem suas vantagens. A cabeça é tornada pra cima por obrigação, mesmo sem o obséquio do corpo. É lá em cima que está a saída.

Doces pedras no caminho. Até mesmo o vil metal. Mas são quimeras anódinas. Que sejam efêmeras, pois. Mesmo tendo certeza de não haver razão no caminho do amor que se julga superior. Que atropela e tenta se sobrepor. Ele estará por lá por esses tempos. Mas há outro amor que está e cujo elo invisível arrastará para sobre tudo isso. Sobre todas as coisas, nosso gosto pela vida. Nossa decisão pela alegria. Nossa alma nua e mesmo que inglória, aberta e inteira. Há que serenar. O braço forte dança pra que haja sereno. Se não houver, ao maldito mundo de togas e determinações da razão por esses em lugar daqueles que, por si só, não conseguem deliberar, consentir, assentir.

Hoje em frangalhos. Amanhã em confraria. Que assim seja.

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Um comentário

  • O amor, ao bem do tempo, seja essa travessia do que dizíamos na tentativa escassa de nunca perder o que sentimos e mais tarde voltaremos a dizer, porque ainda sentimos.

    Seu blog é exultante, simplesmente nos atravessa em cada leitura.

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