Meu ciúme, Meu fracasso (ou Asfixiado pelos próprios pensamentos)

Calafrio. Medo. Desejo. Raiva. Excitação. Tesão. Ódio. Amor?

 

 

Doentio.

 

Meu ciúme, meu fracasso.

 

De onde vem essa doença que não cala? Essa constante lancinante que sufoca o cérebro, sabota o funcionamento dos outrora sadios neurônios e entorpece os sentidos.

 

Inferno.

 

Sentimento de posse. Errado na origem. Desde a maçã primordial. Tanto a da Eva daquele romance quanto a do Raul Seixas daquela música. Uma faca no outro que nunca se possuirá.

Olhos fechados. Sejam verdadeiras ou imaginárias as figuras que surgem, são reais quando passeiam suavemente por toda a pele como estilete afiado cortando o papel fino. Não há sangue derramado. Há apenas o gosto azedo na boca. O embrulho no estômago.

 

Distância. Inferno em dobro.

 

Ignora-se o fato de o coração supostamente não sentir sem o apoio dos olhos. A imaginação cuida de tudo. Da lama ao caos. Tem que mudar. O amor destrói quando se quer ter, quando se quer ser. Apenas estou. O amor está. E só posso saber de mim. O outro está ao lado. Nunca terei, nunca serei.

Num texto já amarelo pelo tempo mas tão recente que impressiona, lê-se: “Tanta entrega. Tanta alma. Tanto calor. Tanta paixão. Tanta posse. Mas a verdade perturbadora, imutável, é que não temos, nunca tivemos nem nunca teremos ninguém; como ninguém nos terá, mesmo que cuspamos essa mentira, na forma mais sincera. Mesmo que acreditemos.”

É a morte das próprias crenças. É estúpido. Mas o coração está enfim aberto. Contudo está em frangalhos de qualquer forma. Respirar a verdadeira atitude por sob o manto da vergonha da desconfiança – justificada ou não – pode ajudar, quem sabe? Ler, chorar, rir, pensar, dormir.

Dormir é o verbo que abandona os descompensados. E sem descanso sucumbimos. Ao mundo e às próprias tentações.

 

Prazer. Longe. Perto. Intenso. Verdadeiro. Falso. Real, pois.

 

Fantasmas no armário.

 

Melhor esquecer? Combater? As mãos tremem ao se aproximarem da porta. Melhor deixa-los lá. Será? Que sejam mortos na hora certa. Ou que saiam de lá e venham conhecer o veneno. Ou que simplesmente desapareçam e não sejam encontrados no dia da limpeza que pode ser próximo ou longínquo. Para que se preocupar. Só é preciso limpar a alma. O ódio é o veneno que mata a quem sente, não ao outro que se deseja morto. O querer tem que vencer o pensar. Não deve haver espaço para mais nada. E nem preocupação. Como? Tentando.

 

Respirar. Com mais calma. Com jeito. A vida está aí.

 

Viver tem que ser sensacional. É um período tão curto, independentemente do tempo que se terá. E só é tão bom e tão especial quando uma goma o une a outro. Uma cola emocional. Um grude que aparece no olhar e se reflete em tudo. Do beijo à saudade. Do olhar à cama. Do lembrar ao gozo. Só depende dos agentes. E se mostra nos atos, nos fatos, no trato. Não nas meras palavras.

 

Quero. Muito.

 

Amor incondicional é uma farsa. O condicional também não, na verdade. Amor é amor e pronto. A forma é dada à medida que se vive. Que caiam as teorias. Que caiam as crenças coletivas e individuais. Que se entregue à paixão desmedida. Que se viva. Simples assim.

 

Amor. Entrega. Desejo. Olhar. Futuro. Tantas acepções. Tantos sonhos. Objetivo.

Amor.

 

Meu ciúme, Meu fracasso.

Meu amor, Minha vida.

É só escolher.

 

(A segunda parece tão mais interessante…)

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Um comentário

  • jussara escreveu:

    É como se fosse um apagão, um bicho destruidor que penetra em nosso interior e nos faz ficar cego. As imagens brotam como se fossem verdadeiras. É importante lutar e vencê-lo – esse bicho interior – e acreditar que a confiança é a única que pode permitir que o amor sobreviva.

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