Meu medo. Minha fuga. Meu renascimento.

Não quero mais. Nem isso, nem aquilo.

Quero me encontrar somente. Ser meu estilo.

Tranquilo.

Ter-me como o máximo. Sem falsa modéstia.

Sem a sociedade como moléstia.

Não à inércia.

Respirar como que se toda a atmosfera

me pertencesse. Sem quimera.

Quem dera.

Quero a solidão do lobo que uiva rouco.

Sim, posso ser tratado por louco.

Um pouco.

Sou tolo em acreditar em me livrar?

Abandonar as correntes invisíveis e sonhar?

Arrebatar.

Um renascimento por princípio.

Ou uma simples tentativa de suicídio.

Alívio.

Ser fênix corajosa e matar-me para viver.

Não ser cinza levada pela brisa do envelhecer.

Ser.

Da dor, fazer um novo rumo.

Podar esse tumor que oprime e sob o qual sumo.

Fumo.

Meu câncer abençoado de prazer.

Curta vida. Curta a vida. Há que se viver.

Crer.

Crer na própria existência e no próprio poder.

Que se é capaz de tomar as rédeas e perverter.

Renascer.

Cuspir nos temas repetidos e nas frases feitas.

Provar que o não importa e não causa desfeitas.

Seitas.

Cultos de uma religião inexistente.

Que prega que não há culpa persistente.

Latente.

Que brada liberdade sem medo do outro lado.

Não há outro lado. Aqui jaz isolado.

Gado.

Nunca mais apontar o dedo.

Simples e parece tão como segredo.

Medo?

Nunca mais, pois aprendi a lição que não foi ensinada.

Um cão que muito ladra, mas não sou nada.

Armada

a bomba que explodiu em minha mente.

Na minha alma que enfim respira e sente.

Mente.

Mentia em fato. Agora é claro.

Esse mundo não me pertence diz o faro.

Raro.

Aproveitar o instinto é inexorável.

Adeus algemas malditas. O impensável.

Imutável.

Olhar para o lado e nada ver. Nem à frente.

Atrás um passado lamacento que não se sente.

De repente.

E mais que de repente.

Num rompante quase demente.

Tente.

A lágrima que corta a face não é do partir.

É da felicidade do esperançoso porvir.

Sorrir.

Dizer adeus a quem não se admira.

Sem nenhum pesar. Sem mentira.

Respira

bem fundo, pois a saída é breve.

Tornar-se imenso e nesse mundo alguém que nada deve.

Leve.

O fim das satisfações. Das lamentações.

Desse muro que nos rodea. Tristes recordações.

Aflições.

Chega dessa vida falsa que nos violenta.

Quem inventou esse modelo onde a miséria alimenta?

Arrebenta.

Deixa espaço para o amor seguro.

Que sublima ao sexo, que pode existir despreocupado e puro.

Curo.

Remendo os pedaços que sobraram desse enfrentamento.

Dessa guerra maldita em busca do desprendimento.

Lento.

Mas que chega enfim ao fim. O passado agora é memória.

Junto os cacos e sorrio das chagas. Regozijo-me em glória.

Vitória.

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