Arquivos por Etiquetas: Morte

Folhas secas

Folhas secas Não me sentei. Foi apenas contemplação. A natureza e sua complicada singeleza. Nossa pequenez e sua inventada complicação. Contraste. Somos esse tanto enorme de um monte de nada. Acreditamos que somos tudo. Se acreditamos, somos? E como somos. Cromossomos e só. Escritos fomos desde antes. Aquelas duas meia-células. Cada uma com metade de

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Vida e morte em cores

Meus olhos vermelhos contemplam enquanto meu corpo se entrega à relva verde e orvalhada da manhã. A névoa gélida e branca faz o céu desaparecer; seu azul sofista não surge, penso na verdadeira escuridão, a escuridão absoluta do infinito. O que há de luzes são lampejos, quase nada frente ao todo negro. Cores, cores, quimeras

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Como de costume

Ana está morta.   …   Como de costume, Eduardo vai até a porta, pega o jornal, liga para a avó que mora no interior para se certificar que ela está bem, prepara seu expresso e senta-se à mesa. A noite agora é uma lembrança vaga. O sol brilha lá fora. Um belo domingo a

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De mim só restará a saudade

Sempre estive lá. Por opção, convenhamos. Por conveniência, saiba-se. Por acaso… Mentira! Era a maldita vontade. Sempre ela. A única personificação do diabo que tive notícia. Encontros e desencontros. Fatalidade. Fartura delas. Farto, isso sim! Exclamo que existo e sei que não é para sempre. Sinto que é por pouco tempo na verdade. Ainda mais

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Deixem os velhos em paz

“Bebendo escondido de novo?” “Pai, o senhor está com cheiro de cigarro.” “Mãe, eu vi o vovô bebendo cachaça.” “Gastou dinheiro no pôquer com aqueles pinguços, né?” Sob as amarras de um suposto sentimento de protecionismo, torna-se os últimos anos de uma existência tão dura em um inferno absoluto. Nada afastará os mais velhos da

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Feliz Aniversário – a morte nossa de cada dia nos dai hoje

Morre-se aos poucos. Por que haveria pressa, se não há um prazo oficial? Mas a certeza da morte deveria estar presente em cada acordar, em cada adormecer, em cada aniversariar. A cada dedicatória de parabéns, morre-se um pouco mais. Não pelo gesto em si, mas pelo tempo que ele consome e pelo que significa: ter

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O dia em que decidi morrer

Claro. Muito claro. Mal posso abrir os olhos. Nunca houve um dia tão claro. Após muitos minutos, entre abrires e fechares de minhas pálpebras, retomo uma visão mediana do mundo à minha volta. Retomo as memórias do passado – seja o mais longínquo, seja o recente. Que dor é essa? Não vai passar? Vai, sim!

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O que os mortos querem de nós

Nada. Simples assim. Não é tão difícil entender. Nada. Ponto final. Dia de finados é uma data bem curiosa. Exibe em toda sua imponência o apego que as pessoas têm pelo pós-vida. São rituais dos mais diversos de adoração a alguém que não está mais ali. Na verdade, é uma adoração opulenta a restos mortais

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