Arquivos por Etiquetas: Vida

Folhas secas

Folhas secas Não me sentei. Foi apenas contemplação. A natureza e sua complicada singeleza. Nossa pequenez e sua inventada complicação. Contraste. Somos esse tanto enorme de um monte de nada. Acreditamos que somos tudo. Se acreditamos, somos? E como somos. Cromossomos e só. Escritos fomos desde antes. Aquelas duas meia-células. Cada uma com metade de

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Ligando os pontos

Lembro dos autores românticos e seus personagens que amavam mas não eram correspondidos. Penso nesses pontos que vão se ligando por aí e frenética e descontroladamente se atando e desatando às mais diversas teias. De repente, dois pontos se conectam, mas cada ponto traz a sua própria teia repleta de outros pontos interconectados. Escolhe-se o

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Vida e morte em cores

Meus olhos vermelhos contemplam enquanto meu corpo se entrega à relva verde e orvalhada da manhã. A névoa gélida e branca faz o céu desaparecer; seu azul sofista não surge, penso na verdadeira escuridão, a escuridão absoluta do infinito. O que há de luzes são lampejos, quase nada frente ao todo negro. Cores, cores, quimeras

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A vida é minha. A vida é nossa.

Cá estamos nós. Expostos. Fuxicados. Entregues à falação dos demais. Na boca do povo. Como aconteceu isso, você pode se perguntar. Quando se deu essa invasão de privacidade é a dúvida que paira. Lendo assim, parece algo terrível, certo? Mas é o teatro-verdade das redes sociais que impera agora. E para essas perguntas as respostas

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Ensaio sobre a divindade

Prólogo: As pupilas são responsáveis por regular a quantidade de luz que será enviada do exterior para nossas retinas. É um furo, um buraco, que faz vazar luz para dentro. Quando estamos em um ambiente escuro, por instinto, nossas íris dilatam, fazendo a pupila crescer e absorver o máximo da pouca luz disponível. Já quando

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O rio e o fio da navalha

Queria navegar manso. Acontece às vezes. Na verdade, queria mesmo gostar de navegar em águas de tranquilidade. Quando há uma maldita bifurcação, escolho instintivamente corredeiras. Para me arrepender depois, é claro. Foda-se no fim; decisão é decisão e que venha uma calmaria posterior – só para aliviar. E que passe rápido, contudo. Passará. Os afluentes

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De mim só restará a saudade

Sempre estive lá. Por opção, convenhamos. Por conveniência, saiba-se. Por acaso… Mentira! Era a maldita vontade. Sempre ela. A única personificação do diabo que tive notícia. Encontros e desencontros. Fatalidade. Fartura delas. Farto, isso sim! Exclamo que existo e sei que não é para sempre. Sinto que é por pouco tempo na verdade. Ainda mais

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Meu medo. Minha fuga. Meu renascimento.

Não quero mais. Nem isso, nem aquilo. Quero me encontrar somente. Ser meu estilo. Tranquilo. Ter-me como o máximo. Sem falsa modéstia. Sem a sociedade como moléstia. Não à inércia. Respirar como que se toda a atmosfera me pertencesse. Sem quimera. Quem dera. Quero a solidão do lobo que uiva rouco. Sim, posso ser tratado

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Feliz Aniversário – a morte nossa de cada dia nos dai hoje

Morre-se aos poucos. Por que haveria pressa, se não há um prazo oficial? Mas a certeza da morte deveria estar presente em cada acordar, em cada adormecer, em cada aniversariar. A cada dedicatória de parabéns, morre-se um pouco mais. Não pelo gesto em si, mas pelo tempo que ele consome e pelo que significa: ter

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O que os mortos querem de nós

Nada. Simples assim. Não é tão difícil entender. Nada. Ponto final. Dia de finados é uma data bem curiosa. Exibe em toda sua imponência o apego que as pessoas têm pelo pós-vida. São rituais dos mais diversos de adoração a alguém que não está mais ali. Na verdade, é uma adoração opulenta a restos mortais

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